Augusta terra que um dia engravidou
de sonho e realidade, em sublime fusão,
parindo poetas que o mundo os consagrou
e ilustre filhos que engrandecem a Nação.
Terra que o grande Ruy também se apaixonou,
despertando carinho e admiração,
quando, encantado, deu o título e poetou
batizando-a como a " Princesa do Sertão " .
Querida Feira de Santana, berço amado,
seguro abrigo para os que vieram de fora,
magnifico lar para um filho morgado.
Suntuosa Feira, mãe sagrada, eu te proclamo
a mais bela flor da exuberante flora
e com o coração declaro: eu te amo !
quinta-feira, 21 de julho de 2011
terça-feira, 25 de janeiro de 2011
A FEIRA E OS GRANDES HOMENS DOS SÉCULOS PASSADOS

É muito difícil imaginar como era Feira de Santana no segundo quartel do século XIX. Ligada à Cachoeira por estradas estreitas, dentro das matas que hoje formam o município de São Gonçalo; embora houvesse uma pequena melhora com o alargamento da estrada, os problemas continuavam com os grandes declives, principalmente em “capoeruçú” nas proximidades de Cachoeira.É bom lembrar que houve infrutíferas tentativas de formação de uma empresa internacional, a exemplo da “Paraguaçu Steam Tram Road Company”. Além dessa, houve outras tentativas, CPOR parte do Governo Federal, para a construção da ferrovia que ligaria Feira de Santana a Cachoeira. Mas os custos com uma estrada ferroviária, passando pelas ladeiras íngremes eram muitíssimos altos, principalmente porque ainda não havia maquinários nem os recursos que dispomos hoje.
Foi então que apareceu um homem de visão e inteligência excepcionais, o Coronel Joaquim Pedreira de Cerqueira que em 1858 construiu, às suas expensas, uma nova estrada, por terreno plano, capaz de resolver quase todos os problemas que a estrada de “capoeruçu” causava.
Na verdade, foi só a partir dessa estrada construída pelo Coronel, que se implantou uma ferrovia em Feira, a partir de 1867. Talvez ainda por sua influência ,Feira de Santana teve o seu Juizado de Paz em 1859. Note-se que nesse mesmo ano, a Feira havia recebido, fidalgamente, na residência do Coronel Joaquim, a visita de D. Pedro, que na oportunidade fez doação, em dinheiro, para que fosse construída a Santa Casa De Misericórdia, a qual só foi concluída em 1865.
Só então profissionais liberais começaram a abrir escritórios e consultórios em Feira de Santana, como se lê nos jornais da época, trazidos à luz da história pelos doutos Carlos Alberto Oliveira Brito e Arcenio José de Oliveira no livro “Memórias”. Os próprios jornais foram frutos desse início do progresso, nossas Filarmônicas, Teatro e Grêmios Literários Dramáticos assentaram então as bases culturais.Neste preâmbulo procuramos mostrar apenas a ação de um homem, Coronel Joaquim, que num gesto de amor a Feira de Santana, fez construir a primeira estrada carroçal, na qual, posteriormente, puderam ser assentadas as linhas ferroviárias e o primeiro transporte mecanizado entre Feira/Cachoeira/Salvador. A estrada existente, conhecida como carreiro ou caminho, só dava passagem a pessoas e animais de carga, em fila, e era íngreme demais para uma ferrovia.
Portanto, podemos afirmar que foi a iniciativa e o trabalho do Coronel Joaquim que trouxe para Feira de Santana o início do progresso que chegou, e continua chegando, aos nossos dias.
Rollie E. Poppino, em seu livro “Feira de Santana” nos conta: “... o tráfego pesado obrigou ao alargamento da estrada, o que foi concluído em 1840. O transporte de qualquer forma era lento e custoso, pelas más condições da estrada, bastante íngreme nas proximidades de Cachoeira. Para melhorar essas condições, fundou-se, em 1846 uma companhia de transporte, para construir uma estrada mecanizada entre Feira de Santana e Santa Izabel do Paraguaçu, via Cachoeira... – Incapaz de levantar o necessário capital, a companhia dissolveu-se antes de iniciar qualquer trabalho na nova estrada. Conquanto nenhum progresso se fizesse por esse tempo, a circunstância de tal companhia ter-se organizado e ter recebido sem demora a devida autorização do governo provincial indicou que se reconhecia a necessidade de um transporte mais adequado. No ano seguinte o Coronel Joaquim Pedreira de Cerqueira, de Feira de Santana, começou a construção, às suas expensas, de uma nova estrada para Cachoeira. Ao completá-la, em 1858, teve as despesas em parte reembolsadas pelo tesouro da Província”
Quem foi o Coronel Joaquim Pedreira de Cerqueira? Um homem que hospedou o Imperador D. Pedro II em sua residência nesta Cidade e financiou, anteriormente, a construção de uma estrada da Feira para Cachoeira, um verdadeiro herói quase desconhecido nesta terra, onde sua obra foi de vital importância para desenvolvimento de toda a região. Além de Poppino, somente conhecemos alguns traços biográficos deixados pelo saudoso Professor Oscar Damião em seu Dicionário Da Feira de Santana, nos seguintes termos:
“Era filho do Dr. Gil Pedreira de Cerqueira, Bacharel em Filosofia e Ciências Naturais pela Universidade de Coimbra, bisavô de Pedro Tomás Pedreira, membro do Instituto Geográfico e Histórico da Bahia”.
Em uma pesquisa no CEDOC (Centro de Documentação) da UEFS, (Universidade Estadual de Feira de Santana) e muito trabalho do professor Luiz Cleber Moraes Freire, foi encontrado na APEB, classificação 1/221 /401/2 às fls. 381, o Testamento Do Coronel Joaquim Pedreira de Cerqueira onde constam as seguintes informações: era natural de São Gonçalo dos Campos, porém viveu, constituiu família no então Povoado de Feira de Santana, onde faleceu em 24/02/1872 (ano em que Feira de Santana foi elevada à categoria de Cidade), deixando dois filhos naturais, Joaquim Pedreira de Cerqueira Jr. e Nerina Clara Pedreira de Cerqueira, além de mais sete filhos do casamento. Posteriormente os filhos naturais foram legitimados.
Dentre os sete destacamos o filho Tenente João Pedreira de Cerqueira que fez algumas construções em Feira e empresta o seu nome à praça principal desta Cidade e foi o inventariante. Também descobrimos que o Dr. Gil era seu filho e não pai como se pensava.
Dentre os bens deixados pelo Coronel, constam mais de cinco engenhos de cana de açúcar, dezenas de fazendas, 128 escravos, alto número de ações do Banco do Brasil, do Banco Mercantil, do Banco da Bahia, apólices da dívida pública, 2.466 cabeças de gado, sobrados, sendo todos os bens do “De cujus” avaliados em 1.281:287$045 (hum milhão, duzentos e oitenta contos e duzentos e oitenta e sete mil réis e zero quarenta e cinco derreis). Difícil de calcular com a nossa moeda atual, mais em comparações entre objetos e valores, pode-se afirmar que sua fortuna, atualizada hoje, seria de aproximadamente 100 milhões de reais.
É necessário que se faça justiça à memória daquele grande feirense, para que não continue esquecido como tantos outros, o foram.
segunda-feira, 24 de janeiro de 2011
De volta ao trabalho
Depois de curtir um período de férias com a minha adorada esposa, voltarei a escrever periodicamente neste blog. Aguardem os novos artigos!
quinta-feira, 9 de dezembro de 2010
A velhice na opinião de um octagenário
Antes de tudo, para evitar dúvidas, é de bom alvitre esclarecer que existem dois tipos de velhice: a do tempo e a do espírito. Pode-se chegar aos 80 ou 90 anos de idade com o espírito jovem, como se pode ter um espírito velho em plena maturidade. Alguém já disse que “a velhice é um estado de espírito”.
Assim, falarei da minha velhice que, às portas dos oitenta e dois anos, considero-a de espírito jovem. Claro que não se pode confundir espírito jovem com jovialidade física: Espírito jovem é aceitar e participar do progresso, é entender os anseios e desejos dos adolescentes (eles é que não podem nos entender, pois nunca foram velhos) e, principalmente, aceitar a velhice, vendo sempre o seu lado positivo, sem esquecer de cuidar dos encargos que elas nos trazem na parte da saúde. Mesmo assim temos de aceitar os encargos como tributo daquilo que usufruímos na mocidade, e não como um “mal da velhice”.
Aos oitenta anos temos uma enorme bagagem de experiência, adquiridos na vivência do dia a dia em um milheiro de meses de trabalho, observações e reflexões. E nesse período, entre as difíceis lutas pela sobrevivência, as decepções e os pequenos momentos de prazer, é que se forja a personalidade e o caráter do indivíduo. A velhice nos chega tão sorrateira que quase sempre nem a notamos, senão fisicamente.
Amo a minha velhice. Foi nela que aprendi o verdadeiro sentido da felicidade, aquela mesma felicidade que todos buscam pelos mais variados e heterogêneos caminhos, sem notar que a felicidade está dentro de nós, acompanhando-nos em todos os momentos da nossa vida, nas mais insignificantes coisas que fazemos, embora não a sintamos de imediato. Um sorriso, uma carícia recebida ou dada, um panorama da natureza, a fragrância das flores nos campos, um encontro com um velho amigo, um bom programa de televisão, as reuniões de família, uma peça no teatro, uma ajuda que se presta a um necessitado... e tantas coisas agradáveis que nos acontece no dia a dia, são pequeninas gotas de felicidade que nunca arrolamos junto às viagens ao exterior, a alegria de um carro novo, um apartamento, ou uma tarde de compras no shopping.
Foi também na velhice que encontrei toda a perfeição do amor. E quando falo em amor não me refiro às violentas paixões da mocidade nem às efêmeras atrações sexuais. Falo do amor como força suprema que preside todas as causas do ser universal. O amor que nos impele à luta pela vida, em favor dos entes queridos, do mesmo modo que nos faz renunciá-la pelo bem das mesmas pessoas. Falo do amor Onipotente, Onipresente e Onisciente. O amor essência: O Amor-Deus.
A velhice é o prêmio que o tempo confere aos que souberam preservar a vida. E a velhice tranqüila é outro prêmio que a vida oferece aos que souberam vivê-la com dignidade e muito amor.
Na minha velhice a única falta que sinto é do vigor da mocidade, mas consola-me saber que muito mais falta me fez na mocidade a experiência que me sobra na velhice. Infelizmente, o vigor da juventude e a experiência da velhice não se coadunam, embora os velhos dependam dos jovens para fazerem o hoje, como os jovens dependem dos velhos para conhecer como fizeram o ontem, e farão o amanhã.
Para mim a velhice é a gloria de ter vencido a maratona da vida, com o orgulho de ter conquistado o grande troféu que ela me deu: uma excelente família.
Assim, falarei da minha velhice que, às portas dos oitenta e dois anos, considero-a de espírito jovem. Claro que não se pode confundir espírito jovem com jovialidade física: Espírito jovem é aceitar e participar do progresso, é entender os anseios e desejos dos adolescentes (eles é que não podem nos entender, pois nunca foram velhos) e, principalmente, aceitar a velhice, vendo sempre o seu lado positivo, sem esquecer de cuidar dos encargos que elas nos trazem na parte da saúde. Mesmo assim temos de aceitar os encargos como tributo daquilo que usufruímos na mocidade, e não como um “mal da velhice”.
Aos oitenta anos temos uma enorme bagagem de experiência, adquiridos na vivência do dia a dia em um milheiro de meses de trabalho, observações e reflexões. E nesse período, entre as difíceis lutas pela sobrevivência, as decepções e os pequenos momentos de prazer, é que se forja a personalidade e o caráter do indivíduo. A velhice nos chega tão sorrateira que quase sempre nem a notamos, senão fisicamente.
Amo a minha velhice. Foi nela que aprendi o verdadeiro sentido da felicidade, aquela mesma felicidade que todos buscam pelos mais variados e heterogêneos caminhos, sem notar que a felicidade está dentro de nós, acompanhando-nos em todos os momentos da nossa vida, nas mais insignificantes coisas que fazemos, embora não a sintamos de imediato. Um sorriso, uma carícia recebida ou dada, um panorama da natureza, a fragrância das flores nos campos, um encontro com um velho amigo, um bom programa de televisão, as reuniões de família, uma peça no teatro, uma ajuda que se presta a um necessitado... e tantas coisas agradáveis que nos acontece no dia a dia, são pequeninas gotas de felicidade que nunca arrolamos junto às viagens ao exterior, a alegria de um carro novo, um apartamento, ou uma tarde de compras no shopping.
Foi também na velhice que encontrei toda a perfeição do amor. E quando falo em amor não me refiro às violentas paixões da mocidade nem às efêmeras atrações sexuais. Falo do amor como força suprema que preside todas as causas do ser universal. O amor que nos impele à luta pela vida, em favor dos entes queridos, do mesmo modo que nos faz renunciá-la pelo bem das mesmas pessoas. Falo do amor Onipotente, Onipresente e Onisciente. O amor essência: O Amor-Deus.
A velhice é o prêmio que o tempo confere aos que souberam preservar a vida. E a velhice tranqüila é outro prêmio que a vida oferece aos que souberam vivê-la com dignidade e muito amor.
Na minha velhice a única falta que sinto é do vigor da mocidade, mas consola-me saber que muito mais falta me fez na mocidade a experiência que me sobra na velhice. Infelizmente, o vigor da juventude e a experiência da velhice não se coadunam, embora os velhos dependam dos jovens para fazerem o hoje, como os jovens dependem dos velhos para conhecer como fizeram o ontem, e farão o amanhã.
Para mim a velhice é a gloria de ter vencido a maratona da vida, com o orgulho de ter conquistado o grande troféu que ela me deu: uma excelente família.
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segunda-feira, 6 de dezembro de 2010
De poeta e Louco...
Não é privilégio das classes dominantes fazer a história. Aliás não é privilégio de quem quer que seja. A história simplesmente acontece e envolve todos e tudo que estejam no seu caminho. Cada momento do nosso passado guardado na lembrança é um pedaço da história íntima de cada um.
Assim como guardo no baú de recordações os nomes dos grandes administradores do Município, Industriais, Comerciantes, Poetas, Músicos, Professores, Jornalistas, fazendeiros e outros contemporâneos, também guardo os apelidos pelos quais atormentávamos as inocentes vítimas das nossas cruéis brincadeiras, como “Ratuim de Igreja”, “Barba Dura”, “Bom no Bife”, “Raposa”, “Fulô de Bredo”, “Seu Cobra”, “Pano de Pegar Panela” etc.. Também não esqueço do folclórico “Benzinho Cadê a Ema”, do politiqueiro “Mário Ferro Velho” ou do perverso “Dobe”.
Há pouco tempo a Prof. Lélia Vítor Fernandes de Oliveira lançou o livro “Cidadãos do Mundo” onde biografou cerca de 170 desses personagens folclóricos de Feira nos últimos 60 anos. O Poeta Alberto Boaventura, em seu livro Estórias e Fatos, fala desses Cidadãos do Mundo. Mas existem outros que vamos tirando do esquecimento. Nesta crônica falarei sobre o mulato que apareceu aqui em Feira, logo depois da seca de 32, dizendo chamar-se Zé Poeta. Como tinha o rosto cheio de manchas bem escuras, logo os estudantes alcunharam-no de “Pano de Pegar Panela”. Como ele reagia furiosamente ao apelido, ficou preso a ele. Mas, como “cada doido tem sua mania”, quando ele se sentia muito acuado pela garotada, depois de proferir impropérios, corria sempre em busca de uma Igreja onde se abrigava e a molecada respeitava o Templo.
Como ele era muito católico, constantemente era visto participando de atos religiosos e adorava cantar as músicas da Igreja. Um dia o “Dobe”, o maior moleque de Feira, filho de comerciante destacado, vendo que o Zé Poeta estava ajoelhado e cantando em um ensaio qualquer, com o firme propósito de molestá-lo entrou também na Igreja e ajoelhou-se no banco que ficavas atrás de sua vítima. No momento todos cantavam: “Meu coração/ é só de Jesus/ a minha alegria/ (Dobe, em vez de dizer é a Santa cruz) disse: é pano de pegar panela....” Naquele momento o Zé Poeta mostrou a sua arte e, sem sair do rítimo, repetiu a estrofe assim; Eu subi na jaca mole/ foi a dura que caiu/ pano de pegar panela/ é a P... que o pariu!
Assim como guardo no baú de recordações os nomes dos grandes administradores do Município, Industriais, Comerciantes, Poetas, Músicos, Professores, Jornalistas, fazendeiros e outros contemporâneos, também guardo os apelidos pelos quais atormentávamos as inocentes vítimas das nossas cruéis brincadeiras, como “Ratuim de Igreja”, “Barba Dura”, “Bom no Bife”, “Raposa”, “Fulô de Bredo”, “Seu Cobra”, “Pano de Pegar Panela” etc.. Também não esqueço do folclórico “Benzinho Cadê a Ema”, do politiqueiro “Mário Ferro Velho” ou do perverso “Dobe”.
Há pouco tempo a Prof. Lélia Vítor Fernandes de Oliveira lançou o livro “Cidadãos do Mundo” onde biografou cerca de 170 desses personagens folclóricos de Feira nos últimos 60 anos. O Poeta Alberto Boaventura, em seu livro Estórias e Fatos, fala desses Cidadãos do Mundo. Mas existem outros que vamos tirando do esquecimento. Nesta crônica falarei sobre o mulato que apareceu aqui em Feira, logo depois da seca de 32, dizendo chamar-se Zé Poeta. Como tinha o rosto cheio de manchas bem escuras, logo os estudantes alcunharam-no de “Pano de Pegar Panela”. Como ele reagia furiosamente ao apelido, ficou preso a ele. Mas, como “cada doido tem sua mania”, quando ele se sentia muito acuado pela garotada, depois de proferir impropérios, corria sempre em busca de uma Igreja onde se abrigava e a molecada respeitava o Templo.
Como ele era muito católico, constantemente era visto participando de atos religiosos e adorava cantar as músicas da Igreja. Um dia o “Dobe”, o maior moleque de Feira, filho de comerciante destacado, vendo que o Zé Poeta estava ajoelhado e cantando em um ensaio qualquer, com o firme propósito de molestá-lo entrou também na Igreja e ajoelhou-se no banco que ficavas atrás de sua vítima. No momento todos cantavam: “Meu coração/ é só de Jesus/ a minha alegria/ (Dobe, em vez de dizer é a Santa cruz) disse: é pano de pegar panela....” Naquele momento o Zé Poeta mostrou a sua arte e, sem sair do rítimo, repetiu a estrofe assim; Eu subi na jaca mole/ foi a dura que caiu/ pano de pegar panela/ é a P... que o pariu!
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sábado, 4 de dezembro de 2010
quinta-feira, 2 de dezembro de 2010
A Santa Casa de Misericórdia
Quando D. Pedro II resolveu visitar Feira de Santana, em 1859, coincidentemente estava em plena atividade o movimento da elite feirense com o objetivo de angariar fundos para a construção da Santa Casa de Misericórdia. Aproveitando a presença do Imperador, uma comissão dirigiu-se ao Monarca e solicitou a sua colaboração para a fundação da Santa Casa. Depois de ouvi-los, o Imperador fez uma doação de dois contos de reis, quantia considerável e que foi decisiva para a fundação, e que levou seus fundadores a denominar a Santa Casa de IMPERIAL ASILO DOS ENFERMOS em 25/03/1865, data da sua inauguração, tendo posteriormente voltado ao nome de Santa Casa de Misericórdia. É oportuno lembrar que o prédio da Santa Casa foi construído antes de 1865 por um fazendeiro, para sua residência, e depois vendido para a Fundação da casa hospitalar que a adaptou para os fins devidos.Durante quase um século A Santa Casa foi a única casa hospitalar gratuita de Feira, socorro para todos os casos, amparo para todos os doentes da região. Muitos médicos foram atraídos pela casa de saúde, fazendo de Feira um posto avançado de assistência médica na região. O primeiro médico feirense foi Wilson da Costa Falcão, nascido em l918 e diplomado em 1945, quando a Cidade já contava com mais de uma dezena de médicos.
A Santa Casa de Misericórdia, até a década de 50, alem de prestar assistência médico-hospitalar a todos os necessitados, também dava ao seu provedor grande prestígio político, o que fazia o cargo muitíssimo disputado.
O fim da construção do Hospital D. Pedro e a transferência da Santa Casa de Misericórdia para o hospital aconteceu no ano de 1956, no governo municipal de João Marinho Falcão.
Transferida a Santa Casa, o velho casarão abrigou por alguns anos o Batalhão da Polícia Militar e posteriormente ganhou o pomposo título de Palácio do Menor, onde se pretendia abrigar o menor desamparado.
Um século e meio depois da sua construção o prédio está vergado sob o peso da ignorância de uma elite que pensa muito em ganhar dinheiro e esquece da memória de Feira, e de políticos que investem todos os seus esforços no futuro de sua eleição, esquecidos que os seus próprios descendentes, certamente mais cultos, irão julga-los e condena-los pelo descaso, desamor e covardia que os fizeram cúmplices da demolição de monumentos históricos que foram símbolos de uma época gloriosa da Princesa do Sertão.
Ontem foi o Cine Teatro Santana, a “Chácara de Tertuliano Almeida”, o Solar Santana, símbolos da mesma época, que foram destruídos em nome de um progresso que apenas esconde o verdadeiro nome da ganância. Amanhã será o prédio da velha Santa Casa de Misericórdia, a antiga Escola Maria Quitéria, etc. etc.. Em troca abre-se centenas de estacionamentos que dão bons lucros ao dono, quase nenhuma renda para Prefeitura e denegrecem a imagem da Cidade.
Mas a história não perdoa e espero que ela seja rigorosa com essa elite atual que tanto explora a Princesa e destrói a sua memória.
Lembrei-me do deputado baiano Joel Presídio que, em 1951, fez um pedido a Deus para os seus opositores, e vou fazer o mesmo pedido para os gananciosos que desprezam a memória de Feira: “Deus, mandai uma chuva de cangalhas para essa gente!!!”
A Santa Casa de Misericórdia, até a década de 50, alem de prestar assistência médico-hospitalar a todos os necessitados, também dava ao seu provedor grande prestígio político, o que fazia o cargo muitíssimo disputado.
O fim da construção do Hospital D. Pedro e a transferência da Santa Casa de Misericórdia para o hospital aconteceu no ano de 1956, no governo municipal de João Marinho Falcão.
Transferida a Santa Casa, o velho casarão abrigou por alguns anos o Batalhão da Polícia Militar e posteriormente ganhou o pomposo título de Palácio do Menor, onde se pretendia abrigar o menor desamparado.
Um século e meio depois da sua construção o prédio está vergado sob o peso da ignorância de uma elite que pensa muito em ganhar dinheiro e esquece da memória de Feira, e de políticos que investem todos os seus esforços no futuro de sua eleição, esquecidos que os seus próprios descendentes, certamente mais cultos, irão julga-los e condena-los pelo descaso, desamor e covardia que os fizeram cúmplices da demolição de monumentos históricos que foram símbolos de uma época gloriosa da Princesa do Sertão.
Ontem foi o Cine Teatro Santana, a “Chácara de Tertuliano Almeida”, o Solar Santana, símbolos da mesma época, que foram destruídos em nome de um progresso que apenas esconde o verdadeiro nome da ganância. Amanhã será o prédio da velha Santa Casa de Misericórdia, a antiga Escola Maria Quitéria, etc. etc.. Em troca abre-se centenas de estacionamentos que dão bons lucros ao dono, quase nenhuma renda para Prefeitura e denegrecem a imagem da Cidade.
Mas a história não perdoa e espero que ela seja rigorosa com essa elite atual que tanto explora a Princesa e destrói a sua memória.
Lembrei-me do deputado baiano Joel Presídio que, em 1951, fez um pedido a Deus para os seus opositores, e vou fazer o mesmo pedido para os gananciosos que desprezam a memória de Feira: “Deus, mandai uma chuva de cangalhas para essa gente!!!”
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