domingo, 16 de junho de 2013
sábado, 8 de junho de 2013
TRECHO DO LIVRO "MINHAS MEMÓRIA
Conheci,
pessoalmente, apenas três bisavós: Capitão Moreira, Maria Rufina e Antônia Freitas da Silva, esta falecida no ano de 1949, enquanto Vovó
Caboclinha (Maria Rufina) faleceu no início do ano de 1960 do século passado (XIX) ambas com mais de 98
anos e que muito me contaram das suas épocas.
A minha
bisavó Antônia (apelidada de (Totonha), ficou viúva aos vinte e dois anos de
idade com uma filha para criar o que fez vivendo de costura. Dela ouvi muitas
histórias sobre Lucas da Feira (que a sua mãe, minha trisavó, assistiu o
enforcamento e lhe contou detalhadamente), enquanto que ainda pequena, lembrava
da visita do Imperador a Feira de Santana, da inauguração do Teatro Santana e
da Santa Casa de Misericórdia, a construção do mercado (a feira era ao ar
livre). Falou-me das famílias Rubéns, Pitombo e Teles, que eram seus parentes,
do movimento dos tropeiros na cidade.
A minha
bisavó Maria (apelidada de Caboclinha),
casou-se com o português Capitão Antonio Moreira Bastos (?) a quem conheceu
no dia do casamento, teve também um único filho, abandonando o marido e
viajando para o Rio de Janeiro,( naquela época uma mulher separada do marido
era repudiada por todas famílias da cidade) em uma viagem quase
cinematográfica, para quem nunca havia saído da Cidade natal. O filho, meu
avô,José Moreira Duarte, deixou aos cuidados de sua mãe, com a aprovação dela.
Esta morreu na década de sessenta do século XIX com quase 100 anos. O meu
bisavô Capitão Moreira conheci-o muito pouco, vez que faleceu no fim da década
de trinta do mesmo século passado.
É importante
mostrar a coragem daquela jovem que partiu para o Rio de Janeiro, sozinha, sem
nenhum conhecido naquelas plagas, levando apenas uma pequena mala de madeira
com roupas e dinheiro suficiente apenas para pagar uma passagem de trem até
Cachoeira, outra de “vapor” até Salvador e a última em um navio de passageiros
até o Rio de Janeiro,(que só conhecia o nome porque o seu marido, português,
viveu algum tempo no Rio de Janeiro), onde ela chegou nos fins de 1883. Na
verdade,ela estava fugindo do preconceito que existia contra mulheres
separadas (a palavra usada era “largada”) do marido. Procurando de casa em casa
por um trabalho e sendo boa costureira e bordadeira, conseguiu emprego no mesmo
dia, na Rua Frei Caneca,o que a salvou de dormir na rua. Dali, posteriormente,
assistiu a abolição da escravatura em maio de 1888 e a proclamação da República
em 89. Dela ouvi muitas histórias sobre a vida de Feira do seu tempo. Uma das
coisas mais importantes que ela contava, era que sua avó conhecera Feira com
três ruas: Da Direita, Do meio, e Da Esquerda. Segundo a sua avó, a metade das
casas ainda era coberta de palha de ouricuri. Faleceu em 1963, com quase um
século de vida.
terça-feira, 28 de maio de 2013
OLHOS D'AGUA
A minha
bisavó, Antonia Freitas da Silva (1851-1949) me contava que a “ponta de rua”,
hoje bairro, mais velha de Feira era os Olhos D’água. Em 1925 eu nasci ali,
segundo filho de Chico do Morro, operário da Fábrica Leão do Norte.
A lembrança
que tenho, mais antiga da infância é, no
quintal da casa, a minha mãe, muito assustada, me pegando pelo braço e gritando
vamos entrar que os revoltosos estão chegando!!!. Era o ano de 1928 e hoje
sabemos que em 27 os revoltosos já seguiam para Bolívia. Sei que era o ano de
28 porque em 29 meu pai mudou-se para o ABC (hoje Avenida Sampaio) vez que
ficava bem próximo do seu local de trabalho.
As lembranças
seguintes dos Olhos D’agua estão bem acentuadas no apito do trem que vinha
chegando ou saindo, brincar com Pedro. Foi depois dono de “carro de praça, hoje
taxi) quando passou a chamar-se Pedro
Capoteiro. Lembro-me do seu tio, “Cachoeira”, o melhor sanfoneiro de Feira de
Santana, lembro muito da venda de “seu Cazuza” e da chácara da família Santana,
onde sua esposa, D. Zalu nos recebia nos finais de semana. Essa amizade nasceu
da falta de leite materno da minha mãe, que se casara com 15 anos, e foi suprida
por D. Zalu que então amamentava Licinha. Assim tornaram-se comadres e os
filhos “irmãos de leite”. Esta amizade cresceu e o amor os fundiu em uma só
família.
Durante a
minha infância, mesmo morando no ABC, os domingos sempre passávamos na Chácara
de D.Zalu, onde tinha um pequeno campo de futebol e eu, meu irmão, Tuta,
Expedito e tantos outros, improvisávamos dois times (Um de camisa e o outro sem
camisa) e jogávamos até a exaustão.
Ainda na
década de 30 limparam uma área grande que ficava em frente à chácara,
provavelmente terras pertencentes aos Santana, pois mais abaixo, com a frente
para a rua dos Olhos D’agua, morava a tia Lele, e ali o campo tornou-se
atrativo dos times, embora decadentes, jogavam e revelou dois grandes goleiros,
Cristo e Ioiô, com também Tuta que faleceu em 2010 como um dos dirigentes do
atual Fluminense de Feira.
Outra coisa
importante do Bairro, era procura, no centro da cidade, por água de
beber (existia a água de gasto) das fontes (cisternas) dos Olhos D’água; e a
mais procurada era a da fonte de Oto Carteiro, um dos primeiros funcionários
dos Correios e Telégrafos. E a pior, mais salobra era da fonte de Cosme
Carneiro. Já a água de gasto mais barata vinha do Tanque da Nação.
È oportuno
lembrar que a estrada de rodagem Feira-Salvador, construída em 1928, havia
separado os Olhos D’Agua, criando a rua da Rodagem, onde foram construídas
várias chácaras e casas, ainda na década de 20
Já na
década de 40 o Governo começou a
Construção das Usinas de Algodão, que teve como Diretor Geral, por muitos anos,
o Engenheiro Asclepíades Negrito de Barros que em 1952 era o Venerável da Loja
Luz e União, que tinha como membros de destaque João Marinho Falcão, Jónatas
Carvalho entre outros.
domingo, 26 de maio de 2013
sábado, 18 de maio de 2013
sábado, 27 de abril de 2013
Trecho inicial do livro "MINHAS MEMORIAS"
Nascido em dezembro (06) de
1925 (o meu irmão mais velho, Eurícles, apelidado de Liquinho, nasceu em 04 de
setembro de 1924). Nossos pais eram
muito pobres. Casaram-se contra a vontade do meu avô José Moreira Duarte não
queria o casamento e por isso fugiram: ela com apenas 14 anos. Foi aquela
história:”amor numa casa de taipa, coberta de palhas” Depois de os revoltosos terem fugido para a
Bolívia em 1927; tenho a lembrança que, provavelmente, em 1928, estava no
quintal da casa onde nasci, na rua dos olhos d’água, quando minha mãe fez-me
entrar em casa e fechou as portas, alegando que os revoltosos estavam chegando.
Talvez as notícias ainda recentes da Coluna Prestes, confundidas com a
revolução de 1930 que se aproximava, tenham confundido as pessoas mais pobres e
com pouquíssimas instruções então ali residentes.
A segunda lembrança é da viagem que fiz de
Feira para Santa Bárbara, via São José das Itapororocas, tendo dormido dentro
do caminhão quando este quebrou e, ao raiar do dia o motorista, Ramiro, me pôs
sobre os ombros e começamos a caminhar para o Distrito que não estava muito
longe. Nos pastos o gado se movimentava. Ramiro assobiava e eu lhe pedia para
parar o assobio, temendo que o boi viesse nos pegar.
Fiquei morando em Santa Bárbara com meus
avós. Eram donos de uma Pensão que ficava em uma esquina onde tinha uma feira
de animais. De amigos, lembro-me apenas
de Zezito e Princesa, ambos filhos de Francisco Valadares, este primo do meu
avô ou de minha avó. Não sei. Até o irmão mais velho que formou-se em direito,
foi Deputado, Governador substituto e Prefeito de Feira, Carlos Valadares,
que nos considerava primos. Foi lá em
Santa Bárbara que tirei a primeira fotografia com meus avós e que meu pai,
posteriormente, mandou Nafitalino Vieira, amplia-la separando-me dos meus avós.
Lá o meu tio Florisberto recebeu uma facada quando passava em uma travessa, à
noite, por um indivíduo que o atacou por engano, confundindo-o com um seu
desafeto, conforme ficou esclarecido, vez que o próprio criminoso percebendo o
engano, socorreu-o e entregou-se à polícia. Mas a minha avó Naná, mãe dele, não
quis continuar morando em Santa Bárbara e voltaram para a sua Feira de Santana.
Em 1929 até 1931, morei na rua do ABC,
hoje Av.Sampaio, que era chamada “ponta de rua”. À época o meu pai já
trabalhava, como operário, na Fábrica Leão do Norte. Depois...
sexta-feira, 5 de abril de 2013
NOVO TRECHO - COSTUMES
Uma lembrança que tenho hoje, é dos costumes de quando comecei a entender
alguma coisa; o primeiro ensinamento, antes de papai e mamãe, era “tomar a
benção” aos mais velhos e beijar-lhes as mãos. Em 1997, no Povoado do Espínola,
município de Barra do Mendes,em um dia
de sexta-feira da paixão, vi um rapaz de quase trinta anos (Valdo), ajoelhar-se
na frente do padrinho (Salviano), de mãos postas, dizer: Louvado seja nosso
senhor Jesus Cristo, benção meu padrinho; e o velho respondeu “Deus seja
Louvado e lhe abençoe”. Era assim no século XIX em Feira. Mas em 1926 já fui
educado pedindo a benção de todas as pessoas idosas, independentes de serem
parentes ou não, apenas estendendo a mão direita.
Os idosos tinham o costume de pegar na ponta
do “pinto” da criança, com dois dedos, e levar ao nariz, dizendo me dá o pó;
naquela época se usava muito tomar rapé (fumo de corda torrado, moído e com perfume) e o
nome era pó. O interessante é que o vaso de guardar o pó, se chamava binga.
Também o pinto era chamado, entre muitos
nomes, o de binga. Daí a brincadeira dos velhos.
A escolha dos padrinhos era feita
antes de a criança nascer e eram escolhidos entre os melhores amigos, até
porque os padrinhos eram tidos com segundos pais. O número de padrinhos era de
cinco: 2 de batismo, uma de representação, outra de consagração e outro (a)
para Crisma.
Era quase uma obrigação dos Padrinhos
dar um “trocado” para o afilhado quando, casual ou premeditadamente, este o
encontrava e corria para pedir a bênção. Quando o padrinho era pobre, os
afilhados se limitavam a pedir a benção somente se o encontrasse por acaso.
Os
pais e os padrinhos eram compadres e tinham um grande e mútuo respeito. Até os
compadres sem batismo, feitos apenas “pulando” uma fogueira de São João ou São
Pedro, tinham quase a mesma consideração.
Entretanto, quando um rapaz ia “pular” uma
fogueira com uma moça, quando muito amigos, nunca se concretizava porque os rapaz
sempre dizia: “São João disse, e São Pedro assina – você é minha comadre... da
cintura pra cima...” acabava em risos e brincadeiras juninas.
